segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mitos sobre o cérebro



De acordo com a literatura recente, o que dificulta o sucesso na interligação entre a interface da neurociência e a educação são as interpretações errôneas que se concebem a partir de estudos feitos de forma inadequada acerca do assunto. Atualmente, para conseguir aborda-lo de forma adequada, é necessário que o pesquisador seja mais criterioso ao separar o que é cientifico do que é especulação.
            Alguns exemplos de neuromitos[1] mais conhecidos são o uso de apenas 10% do cérebro e o funcionamento cerebral esquerdo e direito como independentes.
a) Não se utiliza somente 10% do cérebro como a maioria da população acredita. Esta ideia é um grande equívoco. Através da neuroimagem é possível verificar a ativação de todas as partes do cérebro. O neurocientista Beyertsein (2004) se indignou com esta concepção afirmando que em milhões de estudos do cérebro, jamais foi encontrado uma porção do cérebro que nunca tivesse sido utilizada. 
O fato é que imagens feitas por meio de ressonância magnética e tomografias computadorizadas comprovam que o cérebro está sempre funcionando (todas as áreas) e não há nenhum local escondido que não esteja em funcionamento, mesmo quando se está fazendo tarefas rotineiras ou até mesmo durante o sono. Em entrevista à BBC (British Broadcasting Corporation), o neurocientista Sergio Della Sala explica que o cérebro necessita de muitos recursos, consumindo cerca de 20% de todo o oxigênio que respiramos. Sendo muito desperdício da natureza manter um ser com um órgão que consuma tanto para que funcione com apenas 10% de sua capacidade.
Algumas pesquisas já demonstraram que durante um ataque epilético ou mesmo uma enxaqueca, ocorre a superestimulação do cérebro, ou seja, o uso de todos os neurônios ao mesmo tempo.
A neurocientista Suzana Herculano-Houzel numa publicação na folha de S. Paulo em 2006 afirma que é usado os 100% do cérebro. Utiliza-se tanto o hemisfério direito quanto o esquerdo, dessa forma, são utilizadas todas as estruturas que sejam capazes e funcionais. No entanto, o cérebro permite que se aprenda coisas novas a todo instante. “O que faz a diferença não é quanto do cérebro você usa, e sim como você o usa”.
b) O mito “hemisfério esquerdo versus direito do cérebro” foi difundido por anos, embora este conceito não seja valido. O neurocientista, Stephen M. Kosslyn (2012), explica que conquanto existem algumas diferenças entre o lado direito e o lado esquerdo do cérebro, estes são bem mais sutis. Em primeiro lugar, "o lado esquerdo processa pequenos detalhes do que vemos e o lado direito processa as formas gerais". Em segundo lugar, “as metades do cérebro não trabalham isoladas; sempre funcionam como um sistema. Sua cabeça não é o cenário de uma interminável competição, a parte forte do cérebro lutando com a parte frágil”. “E para finalizar, as pessoas não usam preferencialmente uma metade ou a outra".


[1] O termo “neuromitos” foi lançado pela OCDE (2002) denunciando a perigosidade do excesso de interpretação feita sobre as investigações neurocientificas PURDY (apud RATO 2010).

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