Mitos sobre o cérebro
De acordo com a literatura
recente, o que dificulta o sucesso na interligação entre a interface da
neurociência e a educação são as interpretações errôneas que se concebem a
partir de estudos feitos de forma inadequada acerca do assunto. Atualmente, para
conseguir aborda-lo de forma adequada, é necessário que o pesquisador seja mais
criterioso ao separar o que é cientifico do que é especulação.
Alguns exemplos de neuromitos[1]
mais conhecidos são o uso de apenas 10% do cérebro e o funcionamento cerebral
esquerdo e direito como independentes.
a) Não se utiliza somente 10% do cérebro como a maioria da população
acredita. Esta ideia é um grande equívoco. Através da neuroimagem é possível
verificar a ativação de todas as partes do cérebro. O neurocientista Beyertsein
(2004) se indignou com esta concepção afirmando que em milhões de estudos do
cérebro, jamais foi encontrado uma porção do cérebro que nunca tivesse sido utilizada.
O fato é que imagens feitas por meio de
ressonância magnética e tomografias computadorizadas comprovam que o cérebro
está sempre funcionando (todas as áreas) e não há nenhum local escondido que não esteja em funcionamento,
mesmo quando se está fazendo tarefas rotineiras ou até mesmo durante o sono. Em entrevista
à BBC (British Broadcasting Corporation), o neurocientista Sergio Della Sala explica que o cérebro
necessita de muitos recursos, consumindo cerca de 20% de todo o oxigênio que
respiramos. Sendo muito desperdício da natureza manter um ser com um órgão que consuma
tanto para que funcione com apenas 10% de sua capacidade.
Algumas pesquisas já demonstraram que durante um ataque epilético ou
mesmo uma enxaqueca, ocorre a superestimulação do cérebro, ou seja, o uso de
todos os neurônios ao mesmo tempo.
A neurocientista Suzana Herculano-Houzel numa publicação na folha de S.
Paulo em 2006 afirma que é usado os 100% do cérebro. Utiliza-se tanto o
hemisfério direito quanto o esquerdo, dessa forma, são utilizadas todas as
estruturas que sejam capazes e funcionais. No entanto, o cérebro permite que se
aprenda coisas novas a todo instante. “O que faz a diferença não é quanto do
cérebro você usa, e sim como você o usa”.
b) O mito “hemisfério esquerdo versus direito do cérebro” foi difundido
por anos, embora este conceito não seja valido. O neurocientista, Stephen M. Kosslyn (2012),
explica que conquanto existem algumas diferenças entre o lado direito e o lado
esquerdo do cérebro, estes são bem mais sutis. Em primeiro lugar, "o lado esquerdo processa pequenos detalhes
do que vemos e o lado direito processa as formas gerais". Em
segundo lugar, “as metades do cérebro
não trabalham isoladas; sempre funcionam como um sistema.
Sua cabeça não é o cenário de uma interminável competição, a parte forte do
cérebro lutando com a parte frágil”. “E para finalizar, as pessoas não usam
preferencialmente uma metade ou a outra".
[1] O termo
“neuromitos” foi lançado pela OCDE (2002) denunciando a perigosidade do excesso
de interpretação feita sobre as investigações neurocientificas PURDY (apud RATO
2010).

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