segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Descobertas da neurociência para ajudar na sala de aula



A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e futuramente a aplicação em sala de aula. Contudo, é preciso aprofundar o estudo e construir uma ponte entre a prática escolar e a neurociência.
            A Secretaria de Educação de Pernambuco sugere como a neurociência pode ajudar na educação. A seguir nove exemplos de como a neurociência está invadindo as salas de aula:
a)      Ensino cognitivo: Reconhecido como um dos mais promissores da relação entre educação e neurociência. O ensino cognitivo, pesquisado na Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, tem ajudado alunos a aumentarem seus rendimentos em matemática.
b)      Horário das aulas: Pesquisas no ramo da neurociência revelaram que adolescentes necessitam de mais descanso que outras faixas etárias e que suas capacidades cognitivas no início da manhã são bem menores. Com esses resultados, escolas estão alterando horários de início das aulas para estudantes de ensino médio. “Apenas 30 minutos de diferença causam um enorme impacto no humor e atenção dos jovens”[1].
c)      Variedade no aprendizado: Pesquisas recentes mostram que os estudantes aprendem mais quando as aulas são espaçadas em horários diferentes; quando problemas são solucionados usando múltiplos métodos e não memorizando apenas uma maneira de resolvê-los.
d)     Aprendizado personalizado: A maneira de cada um aprender é diferente, mesmo a anatomia do cérebro podendo ser similar. Ferramentas de ensino estão sendo desenvolvidas para que se adaptem às necessidades individuais de cada um e professores buscam maneiras personalizadas para que alunos aprendam melhor e com mais eficiência.
e)      A perda de Informações: A sensação de muitos estudantes quando retornam das férias é de que se esqueceram de tudo que foi aprendido, pesquisas revelam que isso é realmente verdade e os alunos que costumam manter o hábito de exercitar seus cérebros continuamente possuem mais conexões e variedades de ligações neurais. Em consequência, muitas escolas têm diminuído o tempo de férias ou desenvolvido cronogramas de algumas atividades anuais no período de férias, para não prejudicar a memória e rendimento dos seus alunos.
f)       Problemas de aprendizado: A neurociência está facilitando o processo de identificação de alunos com problemas de aprendizado, como a discalculia[2] a dislexia[3] entre outros, ajudando-os com intervenções que podem melhorar seus desempenhos.
g)      Diversão em sala de aula: A diversão é uma experiência muito positiva para o aprendizado. Experiências satisfatórias fazem com que o corpo libere dopamina, substância que ajuda o cerebro a se lembrar dos fatos com mais agilidade.
h)      A importância do estudo em grupos: Uma pesquisa realizada em 2011 pela neurologista Judy Willis mostrou que os estudantes que trabalham em grupos aumentam a liberação de dopamina, ajudando alunos a lembrar mais das informações em longo prazo. Além disso, aprender em grupos pode reduzir a ansiendade dos estudantes.
i)        Neuroeducação[4]: Por meio da prática é realmente possivel mudar a forma como nosso cérebro é estruturado, permitindo que seja desenvolvido mais conexões cerebrais e mudanças nos padrões neurais por meio da neuroplasticidade.
Este último, tem papel fundamental para a colaboração do aprendizado. No Quadro 2, o documento cita algumas descobertas da neuroeducação para o aprendizado:

  Quadro 2 – Técnicas para aperfeiçoar o aprendizado (Secretaria de Educação de Pernambuco)
1
Estudantes aprendem melhor quando são altamente motivados;
2
Stress impacta o aprendizado;
3
Ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado;
4
Estados depressivos podem impedir o aprender;
5
O tom de voz das pessoas é julgado no cérebro como ameaçador ou não ameaçador;
6
As faces das pessoas são julgadas quase que instantaneamente (intenções boas ou más);
7
Feedback é importante para o aprendizado;
8
Emoções têm papel-chave no aprendizado;
9
Movimento pode potencializar o aprendizado;
10
Humor pode potencializar as oportunidades de aprendizado;
11
Nutrição impacta o aprendizado;
12
Sono impacta consolidação de memória;
13
Estilos de aprendizado (preferências cognitivas) são devidos à estrutura única do cérebro de cada indivíduo;
14
Diferenciações nas práticas de sala de aula são justificadas pelas diferentes inteligências dos alunos.
  Fonte: Construindo a excelência em gestão escolar (2012)
           
Além destes princípios que são relativos a cada aprendiz, individualmente no Quadro 3, sugere algumas considerações importantes no estudo da neuroeducação.

Quadro 3 – Estratégias de ensino e aprendizagem
1
Cada cérebro é único e unicamente organizado;
2
Cérebros são especializados e não são igualmente bons em tudo;
3
O cérebro é um sistema complexo e em modificação diária, pelas experiências;
4
Cérebros são considerados plásticos e continuam a se desenvolver ao longo de sua vida;
5
O aprendizado é baseado em parte na habilidade do cérebro de se autocorrigir e aprender pela experiência, através da análise de dados e autorreflexão;
6
A busca por sentido é inata na natureza humana;
7
A busca por sentido ocorre através de padronizações;
8
Aprendizado é baseado em parte na habilidade do cérebro de detectar padrões e fazer aproximações para aprender;
9
Emoções são críticas para detectar padrões;
10
Aprendizado é baseado em parte na capacidade do cérebro para criar;
11
Aprendizado é potencializado pelo desafio e inibido pela ameaça;
12
O cérebro processa partes e todo simultaneamente (é processador paralelo);
13
Cérebros são projetados para flutuações mais do que atenção constante;
14
Aprendizado envolve tanto atenção focada quanto percepção periférica;
15
O cérebro é social e cresce na interação (tanto quanto na reflexão pessoal);
16
Aprendizado sempre envolve processos conscientes e inconscientes;
17
Aprendizado é desenvolvimental;
18
Aprendizado recruta a fisiologia completa ( o corpo impacta o cérebro e o cérebro controla o corpo);
19
Diferentes sistemas de memória (curto prazo, de trabalho, longo prazo, emocional, espacial, de hábito) são desenvolvidas de forma diferente;
20
Informação nova é arquivada em várias áreas do cérebro e pode ser evocada através de diferentes rotas de acesso;
21
O cérebro recorda melhor quando fatos e habilidades são integrados em contextos naturais;
22
Memória + Atenção = Aprendizado.
   Fonte: Construindo a excelência em gestão escolar (2012)


[1] Construindo a excelência em gestão escolar. Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Escolar. Modulo 8. Secretária de Educação de Pernambuco. 2012. Disponível em:
<http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfjLgAI/impacto-neurociencia-na-sala-aula>. Acesso em: 22 set. 2014.
[2] Obstrução da habilidade de solucionar problemas matemáticos em virtude de danos cerebrais ou doenças.
[3] Uma desordem manifestada pela dificuldade no aprendizado de leitura.
[4] Neuroeducação é um campo interdisciplinar que combina a Neurociência, a Psicologia e a Educação com o intuito de criar melhores métodos de ensino.

1 Comentários:

Às 10 de maio de 2018 às 05:11 , Blogger JOSE BARBOSA COSTA disse...

Indubitavelmente importante nas práticas pedagógicas, nos conteúdos das disciplinas que seguem e, numa formação docente especializada .

 

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